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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Oito doses de conhaque

Quase 50 horas de gravação, 4 dias de labuta intensa e “muitas” doses de “conhaque”, na verdade um chazinho artificial. Esse é o filme do roteirista e diretor Breno Turnes, acadêmico na finaleira do Curso de Cinema da Universidade do Sul de Santa Catarina, vulgo UNISUL. O filme? Oito doses de conhaque, seu trabalho de conclusão de curso.

Com um orçamento na média de R$ 3.000,00, Breno gravou a estória de um cineasta, Lázaro, falido e f.... que, ao resolver filmar uma história de amor (depois de muito filme de putaria), se mete com um bixeiro capitalizador de recursos e que se acha no direito de apitar sobre o roteiro.

O filme (do Breno) tem como referência o “Medo e Delírio” (Terry Gilliam) e “O Lutador” (Darren Aronofsky). Mas a estética de muitas cenas são linchynianas, como se ve quando um Matusalém (Renato Turnes), com um ar de Nosferatu, sai lentamente de baixo da cama para povoar os pesadelos do casal (Milena & Lázaro) . A cena é toda gravada de cima e o efeito é transtornador.

Utilizando equipamento de ponta e lente de 35 mm, Breno contou com a parceria de amigos que abraçaram a causa com ele. O diretor é, inclusive, o primeiro a dizer que “talvez, se tivesse ganhado algum edital, não teria equipamentos tão bons quanto os que conseguiu”. Saí convencida: o importante é ter amigos. E paixão logicamente. Amigos e companheiros de batalha, pois a grande maioria que estava lá já desenvolveu alguns projetos juntos.

Acompanhei durante três dos 4 dias de gravação, e posso dizer que é admirável a garra e profissionalismo da galera. O respeito ao silêncio no momento das gravações, alimentação diária para cerca de 20 pessoas que estavam no set, horários religiosamente marcados, planejamento constante, transporte para toda a equipe. Tudo na camaradagem, o que em nenhum momento tirou a seriedade do trabalho.

Talvez não tão sério mas bastante profundo, foi o baita corte que a atriz Julie Cristie, que interpretava Milena, levou na hora da sua “morte”. Resultado: sangue para tudo quanto é lado e 10 pontos. É ...até isso foi sério. Na hora teve gente vibrando com o realismo da cena. Realmente era tudo verdade!

Agora Breno entrou na fase de edição e a primeira exibição do filme deve ocorrer no dia 4 de dezembro, na 2ª edição do Fita Crepe de Ouro, evento da própria Unisul.

Depois disso, Breno pretende lançar o filme numa festa, com a banda responsável pela trilha sonora tocando. No mais, é divulgar o filme pela internet, com venda de DVD e correr atrás dos festivais de cinema.




                                                                                                                   por Dani Pacheco

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Crônica de uma produção independente

Dia de produção é assim, correria, vou de voule. Chama a amiga da irmã, cadela da vovó, até primo distante para fazer figuração. Os atores são todos iniciantes, colegas que divulgam seu nome por um almoço e jantar. E quem fornece esse almoço e jantar é o patrocínio, aquele tão suado que aparece nos agradecimentos dos créditos finais. E pra chegar lá não é fácil. Cinema independente por aqui depende de muitas coisas. É projeto pra mais de dez anos. Viver disso: pode tirar seu cavalinho da chuva. São leis de apoio que não apóiam em nada, e quando apóiam, apóiam pouquinhoinhoinho. Ênfase para pouco: a verba é sempre curta para fazer um curta. Na maioria das vezes, tem que estar preparado para tirar dinheiro do bolso. Desde a gasolina do transporte aos equipamentos. Ah, os equipamentos! Coisa cara é aluguel de câmera, steadicam, spotlight. E os efeitos da iluminação é responsabilidade do papel machê. Toda a paleta de cores que uma papelaria pode te oferecer. Dia de gravação: frio na barriga de todos. A câmera, por menos que seja o destino da gravação, sempre intimida. Corta, faz, refaz, refaz, refaz. Atores iniciantes, lembram? Cavalo dado não se olha os dentes. Depois das gravações é que começa. Sim, edição. Corta, cola, corta, cola, corta, corrige, cola. O trabalho do editor é digno de admiração. Aliais, todos os trabalhadores do meio cultural são dignos de admiração. Pena que todo mundo esquece essa admiração. E a remuneração.